“-Imagine… você tem uma mente atormentada – disse Diablo Diablo, a voz dramática. – Você barganha com a tristeza, ou luta com a dor, ou come arrogância todas as manhãs com seu café. Há santos nesse vale que podem curar você. Você e todos os outros peregrinos podem chegar a meio galope em Bicho Raro para receber um milagre. Um milagre, você disse? Um milagre. Esse milagre torna a escuridão dentro de você visível de maneiras incríveis e peculiares. Agora você vê o que tem lhe assombrado, você pode derrotar isso e, então, deixar esse lugar livre e tranquilo. Não acredita em mim? Olá, olá, eu não faço as notícias, apenas as divulgo. Tem apenas um detalhe importante: os santos não podem ajudar você a lidar com sua escuridão depois de ter recebido o milagre, ou eles trarão, hum, eles trarão a escuridão para si mesmos, uma escuridão pior do que a de qualquer homem comum. Ou mulher, por Deus.”
“Ser um peregrino era osso duro de roer. Quase todas as pessoas que chegavam a Bicho Raro acreditavam que o primeiro milagre era o ponto final da sua jornada. Elas tinham apenas de chegar ao ponto de recebê-lo e, então, sua alma repousaria tranquilamente. As coisas começavam a dar errado para muitos quando compreendiam que esse era o primeiro passo de um processo de dois passos, e, à medida que o tempo passava, os peregrinos começaram a cair em dois grupos cada vez mais díspares: aqueles que realizavam o segundo milagre quase imediatamente depois do primeiro e aqueles que, a cada dia fracassado após o primeiro milagre, tinham ainda menos chance de realizar um dia o segundo.”
Um livro sobre sensibilidade e autoconhecimento
É assim que se resume o foco principal da história narrada em Bicho Raro, que acabou de entrar no meu top livros.
Comecei a ler esse livro e nos dois primeiros capítulos, meu pensamento foi: “de qual é a desse livro?”. Porém, comecei a lê-lo por indicação e dessa forma resolvi persistir mais um pouco. Não demorou muito para que eu me apaixonasse perdidamente pela história.
O que me encantou tanto não foi nem a trama em si, mas a forma poética e delicada como a autora trata as relações familiares, o amor, o autoconhecimento e tantas outras coisas pertinentes à natureza humana. Por meio do realismo fantástico, cada personagem, com suas características, é tratado com tanto amor que por diversas vezes eu fiquei emocionada.
Então, antes mesmo de terminar, eu já estava recomendando o livro por aí! Mesmo sabendo que não é um estilo que agrada todo mundo, acho válida a leitura. As descrições dos cenários e personagens me fizeram querer muito ver uma adaptação pras telas desse livro, ou mesmo uma edição ilustrada.
“ – Responda-me agora – disse Daniel. – Você tem escuridão dentro de si?
-Sim – disse Tony.
– E quer se livrar dela?
Esta é uma pergunta mais difícil de se responder do que você acharia em um primeiro momento. Quase ninguém acha que seja correto responder a essa pergunta com um não, mas a verdade é que nós, homens e mulheres, muitas vezes odiamos nos livrar do que é familiar, e às vezes nossa escuridão é o melhor que conhecemos.”
“Todos temos uma escuridão dentro de nós. É apenas uma questão de o quanto de nós é também claridade.”
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